O mundo vai acabar, anunciou um cara na tv.
Acendi minha vela, lembrei do passado e da velha história. Daquela que inventei quando passeávamos pela rua e as calçadas estavam úmidas como teus olhos. Daquele dia em que depois de me abraçar nós fumamos esperando que a fumaça levasse tudo que nos atormentava e desaparecesse até o último trago. E alguém passou por nós dizendo “fiquem bem” e a gente lá sabe o que é ficar bem no meio dessas confusões todas, desse desconforto mundial e que parece tão unilateral? Mas eu sorri, era o que se podia fazer diante de uma pessoa que não precisava de urgências. Mas era tarde demais. Tarde demais para as alegrias. Eu ouvia uma voz que me dizia que a lucidez me levaria a insanidade. Mas meu deus, eu estou lúcida pra C*# e agora eu vejo que não há saída. Olha o mundo virado ao avesso. Olha a evolução, essa morte constante das coisas. O mundo vai acabar hoje.
Mas esqueceram-se,
o mundo tem acabado aos poucos e ninguém faz nada.
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